Domingo, Novembro 15, 2009

Pré-reserva

Passamos grande parte das nossas vidas a fazer pré-reservas, que habitualmente começam com "um dia vou...". E colocamos de parte uma série de sonhos, vontades, planos, necessidades, afectos, tempos, relações. Porque, no momento, achamos que "pode esperar". O tempo passa, e um dia, bem um dia percebemos que a pré-reserva que fizemos perdeu a validade. E que já não podemos recuperar o que ficou para trás e está - para nossa frustração e desgosto - irremediavelmente perdido.
Por isso, a vida... bem, é para viver hoje. As prioridades são para definir hoje. Os sonhos também são para viver hoje. E por aí fora.

Por isso... andei à procura das minhas 5 palavras, cinco coisas que desejo que daqui para a frente, me orientem de algum modo: equílibrio, energia, investimento, conhecimento, felicidade.
Uma espécie de objectivos, linhas orientadoras. Porque chegou ao fim de um ciclo. E quero começar outro.


(Caros leitores, este blog não assumiu nenhuma linha esotérica ou filosofia oriental. Para isso é favor ir ao site de outros mais especializados - e interessados - que eu)

Sábado, Novembro 14, 2009

Saga Mestrado: O final

Salda-se a epopeia mestrado, também conhecido por tarefa hérculea, pelos 17 valores. ;)

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Estudo escatológico da ansiede ou crise de nervos pré-defesa de tese para obtenção de grau académico

A minha vida sempre foi feliz. Até ao dia em que me decidi a frequentar um mestrado, sem motivação específica, no embalo da licenciatura e porque hoje em dia um licenciado com 5 anos é um dinossauro jurássico obsoleto (passo a redundância, o pleonasmo e a contradição) ao pé de um mestre de bolonha. Logo eu que não tenho pachorra ou sequer especial apetência pela investigação científica. Muito menos por aquelas duas variáveis complexas que vieram a provar não ter qualquer relação entre si (valha-nos que era um estudo exploratório e os resultados podiam ser uma real caca). Foram 21 meses de outras prioridades (aka conseguir e manter emprego), talvez disfarçadas de procrastinação. Foram 2085 euros entre propinas e prolongamentos. Sentimentos de culpa exacerbados a roer de inveja as pessoas mais organizadas da face da terra que conseguiam trabalhar e depois ainda se dedicar (pasme-se com paixão e empenho) noites e fim de semanas a esse bicho. E também das que se estavam a borrifar e conseguem escrever a tese num mês. Bichinho verde. Esse da inveja.
A verdade é que depois de em Agosto ter entregue a minha tese - numa encadernação bonita, limpinha e brilhante e depois de ter quase um colapso nervoso que iria culminar no assassínio em série dos empregados da gráfica - senti uma espécie de libertação. Livre, enfim livre. Como diriam os americanos: bullshit! Limitei-me a esconder o assunto mestrado no fundo bem fundo de uma gaveta, esquecendo-me do grande-monstro-aterrorizante-tenebroso-mas-incontornável "defesa da tese".
E vivi tranquila (que é como quem diz) até ao dia em que fiz a asneira de perguntar à minha orientadora se aquele-momento-que-não-deve-ser-mencionado-mas-já-o-mencionei ainda ia demorar muito. Não fosse ela esquecer-se de me avisar e informar-me de véspera. Ah e tal, ainda não foi nomeado o juri por isto e por aquilo (detalhes da vida pessoa da presidente do júri e da avaliadora externa que vem arguir - só de ouvir esta palavrinha tremem-me os joelhos - que não posso revelar); ah e tal não marquem para o final de outubro porque estou em barcelona a apreciar a arte dos grandes mestres e a degustar tapas...
Até que chega o dia em que sou avisada de que há dia e hora marcada e começam as primeiras pontadas de angústia, que se traduziram num pequeno ameaço de tremelique no joelho. Mas que rapidamente se transformou em negação, como se estivesse a milénios de defender aquela coisa execrável que demorei quase dois anos a escrever. E depois, ainda me dizem: "Ah e tal... não é para te pôr mais nervosa, mas já reparaste que vais defender a uma 6ª feira... 13?"
E os dias foram passando, e contra o costume até fui fazendo alguma coisinha da vida e preparando a apresentação. E chegou um edital, da faculdade, em que diz que eu vou ter que defender a tese no dia 13 de novembro. E eu convenci-me de que aquilo era mesmo real.
Resumindo e concluindo, a menos de 48h de ir defender o indefensável, estou prestes a ter uma crise nervosa. Estou há 1,5 semana em estado crónico de angústia e ansiedade, que se traduz nas seguintes sinais e sintomas:
- Apetite devorador a toda a hora e instante (é terrivel, mas passo os dias literalmente a comer), com grandes benefícios económicos para os produtores de bolos, bolachas, chocolates, batatas fritas, tostas, compotas e iogurtes;
- Humor de cão (irritabilidade extrema, prestes a saltar/morder todos os que falam para mim) alternando com humor de palhaço (risinhos histéricos e incontroláveis, sempre que penso na minha triste figura da próxima sexta feira)
- Consumismo exacerbado - comprar coisas adia a tarefa de olhar para a tese - com grandes benefícios para os produtores de cosméticos ("posso passar por tolinha inculta, mas feia é que não" - grande moral) e livros (tentativa de passar por funcional e culta e anular a vaidade excrucitante que se apoderou de mim)
- Suores frios sempre que penso que me podem fazer perguntas de estatística (não percebo puto sem o manual do spss à frente)
- Falta de memória ("mas a minha tese é mesmo sobre o quê?")
- Desorganização mental (não faço a mínima ideia como que raio vou apresentar aquela porcaria)
- Paranóia ("Eu tenho a certeza que me vai perguntar a diferença entre género e sexo e contar as referências que fiz a uma certa tese de mestrado não publicada por página" ou pior "vai-me perguntar porque é que escrevi aquilo, daquela forma, naquela página")
- Ameaças à integridade física de todo e qualquer que sugere ir ver a minha defesa

Resumindo e concluindo, estou prestes a fugir e não comparecer à defesa da tese e condenada a tornar-me pária social por todos os que me conhecem... e talvez vomitar em frente do júri, tal a ansiedade só de antecipar o momento de começar a falar. Vou só ali chorar e já venho. E talvez comer umas bolachas.

Posto isto, é muito triste dizer-vos, que a criatura disfuncional que vos escreve hoje (falar na 3ª pessoa dá um ar terrivelmente futebulesco à coisa), é... psicóloga.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

Coisas da terra do Ouro

Não, não. Não vou falar sobre duendes, sininhos, fadas e afins. Hoje vou falar sobre política. Habitualmente não me pronuncio sobre este tema. Aliás, não penso muito sobre este tema. Contudo, o facto de trabalhar ao nível da intervenção social e comunitária, fez-me ganhar uma maior consciência da importância que tem exercer o direito de voto.
Não vou aqui expor as minhas ideias políticas. Não é disso que se trata. Vou antes falar da patusquice que se está a tornar a campanha eleitoral para as autárquicas. Ou melhor, vou falar de uma candidatura que me "revolve os fígados".
Não aprecio particularmente candidaturas que se focam na vangloriação e exaltação de características pessoais do candidato. Até aí concedo o ponto: é política - 70% de imagem, 15% de ideias, 10% de charme e 5% de verdade.
Contudo, uma candidatura que não se centra em ideias e se centra no candidato não me enche as medidas. Infelizmente, a maioria das vezes votamos em partidos e pessoas, e as ideias, o mais importante... ficam esquecidas. Quando é o candidato a impedir que as suas ideias cheguem à luz do dia, a única coisa que me vem à ideia é que de facto o candidato não tem ideias. Não terá possivelmente um projecto coerente.
Também não gosto de cartazes que gostam de criar ideias de falsa proximidade com os eleitores. Candidatos que se intitulam de amigos das pessoas (porque "povo" é uma designação out). De facto é mesmo com o senhor político que eu vou ter nos dias em que estiver deprimida, com a neura, ou com TPM. Ah... já estou a ver... eu sentada na confortável poltrona do presidente da câmara, e ele largar todas as suas tarefas para me estender um Kleenex e me ouvir as mágoas... Claro que este cenário de compreensão velada duraria apenas 30 segundos, porque no mesmo dia os restantes 173910 habitantes do concelho se lembrariam de procurar esse ombro amigo e o presidente... desculpem, amigo, amigo... é um homem de muitos afazeres...
Mas o que me irrita solenemente são certos cartazes intitulados de comunicados (que supostamente são coisas importantes) que dizem: "no verde e no amarelo, vota no terceiro" e mais abaixo "no branco, vota no que quiseres porque o XXXXXX não concorre às juntas"... Parece-me que na terra do ouro vão surgir muitos centros de reabilitação... (if you mean it...)

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

Frustração

Frustração: não consigo lidar lá muito bem com ela. Apesar de por vezes fazer das tripas coração para o conseguir fazer. conseguir lidar. A frustração surge proporcional à medida do que eu poderia ser, conseguir, efectuar, realizar e aquilo que não sou, não consigo, não efectuo e não realizo.
Às vezes a frustração assume a forma de uma pequena birra, nada de mais, apenas canalizar uma raiva pouco intensa. Outras vezes a forma de um grande desgosto. Ou ainda, a forma de um grande vazio. Porque penso que muitas vezes, depois da frustração, existe apenas o nada. Porque a frustração me assusta e muitas vezes me impede de tentar novamente. Porque a frustração me deixa fragilizada, como se estivesse a lutar boxe e tivesse sido arrumada para canto. Porque não sei o que vou fazer, como reagirei se um dia a frustração for maior que eu. Há pessoas que explodem com a frustração, mas que depois são capazes de tentar, tentar, tentar, tentar até à exaustão (não que isso seja necessariamente bom). Outras, como eu, ficam sem saber o que fazer com ela. Fecham-na na palma da mão, como se estivesse a tentar não perder os último grãos de areia, ou não quisessem deixá-la voar - qual pirilampo. Fico a contemplá-la. Não sei o que fazer. Mas ela incomoda-me.
Afinal, a frustração não é coisa de pessoa bem resolvida emocionalmente, pois não? Quem é forte e determinado não sente frustração, pois não? Quem é feliz não se frustra pois não? Quem me dera que pudessem ouvir o tom irónico com que os meus pensamentos ecoam agora...
Porque a frustração tem uma finalidade, afinal. A frustração impele-nos a mudar, a afastar algo incomodativo. A frustração protege-nos, embora nos exponha. Uma vez li num relatório pericial vindo do tribunal uma coisa muito interessante: a senhora X não sente frustração, pelo que não tem consciência das problemáticas que a afectam e por conseguinte, não consegue operar o processo de mudança. Basicamente e trocando por miúdos, a senhora está sempre feliz, sempre bem. O mundo pode estar a cair, a desabar que está sempre bem, feliz e satisfeita. Não compreende o porquê dos problemas, porque não os sente, não os vê, não os toca, não os prova...
Afinal, a frustração é um sentimento como outro qualquer. Que deve ser experimentado e vivido. Eu é que não sei bem como...

Terça-feira, Setembro 15, 2009

Nós mulheres

Estamos sempre - ou quase sempre - a oscilar entre o estado de espírito de "última fatia de bolo" vs. "última coca-cola no deserto". Hoje: "última fatia do bolo".

Sábado, Setembro 12, 2009

Mais valia estar caladinha

Eu: "Alterar a dose dos anti-depressivos diariamente não é algo que ajude. Os anti-depressivos não são benurons que se doer mais a cabeça se toma mais um"
Ela: "É melhor do que andar a fazer por aí asneiras e a magoar-me"

Mais valia ter ficado caladinha. Contra factos não há argumentos.